domingo, 17 de junho de 2012

A Biomecânica dos desequilíbrios musculares

Os desequilíbrios musculares tornaram-se grande alvo de estudos e discussões dentro da Medicina Desportiva, como prováveis responsáveis pelo alto índice de lesões entre os atletas. Porém, boa parte dos estudos que se propõem a discutir o assunto não apresentam fundamentação científica (Klee et al, 2004).
Sabe-se que a estabilidade corporal, responsável pelo alinhamento do corpo, é diretamente ligada ao controle do Sistema Nervoso Central (SNC), pelo feedback sensorial das estruturas osteoligamentares e pelo controle da musculatura ativa. Logo, qualquer disfunção em um desses fatores vai promover instabilidade, a qual será compensada pelo corpo de alguma forma. Uma dessas formas é causando um desequilíbrio entre músculos (Liebenson & Lardner, 1999). De modo que os músculos que são mais utilizados, seja em tarefas do dia-a-dia, seja por práticas esportivas, tornam-se mais fortes e mais encurtados. Por conseqüência, ocorre um enfraquecimento e estiramento dos músculos antagonistas (Christensen, 2000).
O desequilíbrio muscular pode ser explicado pela diferença de força e flexibilidade entre grupos musculares que atuam sobre uma mesma articulação, isto é, ocorre quando determinado grupo muscular apresenta-se mais forte e/ou mais tensionado do que seu respectivo antagonista (Kollmitzer et al, 2000; Klee et al, 2004; Liebenson & Lardner, 1999).
Como fator causador, os desequilíbrios ocorrem, basicamente, pela promoção de um desalinhamento postural por alterar o posicionamento das estruturas ósseas ao aproximar origem e inserção (encurtamentos); ou promover sobrecargas excessivas em determinadas articulações ou parte delas, ligamentos e outras estruturas, podendo causar lesões agudas ou crônico-degenerativas (Kendall, 1995).
Foto: Chico Audi
Como fator secundário, pode ocorrer como conseqüência de uma lesão inicial. Nesse caso, destacam-se as lesões traumáticas e as neurológicas que podem facilitar ou inibir as contrações musculares de determinados músculos, como, por exemplo, é o caso da espasticidade que atinge grupos musculares predominantes, inibindo a reação de seus antagonistas (Stokes, 2000).
Dentre os músculos que sabidamente tendem ao encurtamento, destaca-se: eretores espinhais, quadrado lombar, tensor da fáscia lata, piriforme, retofemural, gastrocnêmio e sóleo, peitoral maior, trapézio superior, elevador da escápula, esternocleidomastóideos, e escalenos; enquanto seus antagonistas diretos tendem ao estiramento (Stokes, 2000).
O processo de instalação de um desequilíbrio muscular, normalmente, não é perceptível ao indivíduo até que suas conseqüências comecem a se manifestar, normalmente em forma de quadros álgicos e/ou deformidades. E, levando-se em consideração o complexo de cadeias musculares que compõem o corpo humano, o processo será seguido de uma série de compensações locais e a distância, transformando o problema inicial em complexo processo de reabilitação postural (Moraes, 2002).
De forma simplificada, pode-se dizer que o tratamento dos desequilíbrios consiste em promover um reequilíbrio das cadeias musculares alongando o que está encurtado e fortalecendo o que está fraco. Vale ressaltar, porém, que o equilíbrio fisiológico de forças não é necessariamente o mesmo valor entre os grupos musculares. Por exemplo, é considerado um sistema em equilíbrio quando os isquiotibiais apresentam cerca de 70% da força do quadríceps (Kollmitzer et al, 2000; Kolyniak et al, 2004).
O MÉTODO PILATES
Um dos recursos que pode ser utilizado com a proposta de promover o reequilíbrio muscular é o Método Pilates, que consiste em uma série de exercícios físicos, os quais buscam a harmonia entre o corpo e a mente, isto é, é um treinamento físico e mental, que melhora a consciência corporal por trabalhar o corpo como um todo. É composto pelos exercícios desenvolvidos por Joseph Pilates, os quais são realizados em solo, com a bola suíça ou nos aparelhos elaborados por ele, tendo como princípios a centralização, o controle, a precisão, a fluidez do movimento, a concentração e a respiração. Os exercícios favorecem o trabalho dos músculos estabilizadores, promovendo a eliminação da tensão excessiva em determinados grupos musculares, evitando, dessa forma, as compensações conseqüentes aos desequilíbrios (Pires, 2005).
Segundo os estudos já realizados (Blum, 2002; Kolyniac et al, 2004; Betz, 2005) os resultados do Método Pilates no que compete ao tratamento de desvios posturais e algias osteomioligamentares têm sido satisfatórios. Joseph Pilates atribuía estas conquistas a ênfase do trabalho do centro de força e da consciência corporal. Ele pregava que a concentração e a precisão com as quais os exercícios devem ser realizados exigem do praticante total controle e percepção de seu corpo, o que funciona como estímulos proprioceptivos de grande magnitude, os quais são responsáveis pela tomada da consciência corporal, isto é, o indivíduo passa a conhecer mais seu próprio corpo, buscando a harmonia de suas estruturas e promovendo uma melhor utilização das mesmas (Gagnon, 2005).
Dessa forma, o Método Pilates é capaz de promover o fortalecimento global, melhora da flexibilidade e controle corporal, de forma simultânea.
Fonte:
Brena Guedes de Siqueira Rodrigues-Fisioterapeuta
efisioterapia.net

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pilates ou Musculação?

Picture











Hoje a preocupação com a saúde e bem-estar físico é grande, existem diversos estilos e modalidades de exercícios físicos, que muitas vezes nos deixam em dúvida do que praticar e porque praticar.
Essa dúvida ocorre frequentemente entre o Pilates e a Musculação, ambos são métodos eficazes, mas com características peculiares.
A musculação tem o objetivo primário de desenvolvimento da força e resistência muscular, através de um treinamento com variações de carga, tempo de concentração e velocidade controláveis, contribuindo para a saúde, bem-estar e melhora do perfil estético, ou seja, tônus e aumento de massa muscular.
Já o Pilates foca no alongamento muscular e fortalecimento da musculatura profunda à superficial, de forma equilibrada, melhorando a postura e definindo músculos sem hipertrofia. A concentração é exigida para executar os exercícios com precisão, havendo necessidade de interação entre o corpo e mente.
Podemos dizer que a maior vantagem do trabalho muscular desenvolvido pelo pilates sobre a musculação é a possibilidade de focar vários músculos simultaneamente com a ativação do CORE (músculos do assoalho pélvico e abdominais).
A opção de cada pessoa depende de sua personalidade e intenção, na maioria da vezes, quem procura o pilates, não se adapta bem ao ambiente e rotina de academia, já quem deseja aumentar os músculos segue o caminho da musculação.
Pilates e musculação são atividades diferentes, mas que podem ser realizadas juntas, já que o Pilates é uma atividade que convive bem com qualquer tipo de treinamento esportivo.
 “O pilates é a base para qualquer atividade física. A consciência corporal e a eficiência dos movimentos que ele promovem, podem ajudar na realização de uma musculação mais segura com resultados melhores e mais rápidos”.

domingo, 18 de março de 2012

Dicas:

img10.jpg

O Pilates durante a gestação

Por Marília Zara Chiarelli
Educadora Física, Instrutora Certificada Internacionalmente pela STOTT PILATES

Foto: San Diego Pilates
A saúde é o bem maior de nossas vidas, e nas mulheres grávidas, ainda mais importante, pois é vida gerando uma nova vida.  
Nos últimos anos, tem aumentado significativamente o número de grávidas praticantes de atividades físicas durante a gestação. Estas atividades, no entanto, devem sempre respeitar os limites de cada organismo e ser do total conhecimento e concordância do médico obstetra. Não há dúvidas de que este período provoca grandes transformações no corpo e no estado emocional da mulher.
O crescimento da barriga desloca o centro de gravidade da mulher, dificulta o equilíbrio, aumenta a lordose lombar, provoca a dor lombar, dores nas articulações e possível falta de ar. Existem algumas precauções que devem ser tomadas para que se tenha uma gestação tranquila e saudável.
Se fôssemos subdividir o período gestacional teríamos cuidados específicos para cada um deles:
•  No primeiro trimestre, o hormônio relaxina é secretado no corpo, atingindo todas as juntas deixando-as mais relaxadas  e suscetíveis à possíveis lesões ligamentares. Aqui deve-se evitar  movimentos que demandem a amplitude completa de qualquer junta, no máximo a uma amplitude média de movimento durante os exercícios e aos alongamentos.
Observe o uso excessivo dos adutores para evitar uma dilatação exagerada da sínfise púbica.

• No segundo trimestre, a gestante não deve permanecer  em decúbito dorsal ou em posição invertida, pois a pressão uterina  pode comprimir vasos sanguíneos importantes resultando em uma diminuição do fluxo sanguíneo ao seu coração, e que pode acabar afetando também o fluxo sanguineo ao feto. A freqüência cardíaca não deve exceder a 140 batimentos por minuto, e para isso, é necessário um bom aquecimento e volta calma. Neste período, o peso adicional gera problemas com o equiílibrio em decorrência da modificação do centro de gravidade.

• No terceiro trimestre continue ajustando sempre as posições para um maior conforto da gestante.
O aumento do útero e da freqüência respiratória da gestante podem ocasionar uma dificuldade para respirar. Geralmente o repouso, deitada de lado ou até mesmo a realização dos exercícios em decúbito lateral aliviam a sensação de falta de ar.
Exercícios indicados:
  • Ponte ou rolamento do quadril com a torácica, cervical e cabeça apoiadas na stability ball, evitando o redirecionamento do fluxo sanguíneo;
  • Limitar as rotações da coluna;
  • Realizar exercícios como o leg press, série de costas em decúbito lateral no reformer;
  • Exercícios em 4 apoios, como o alongamento do gato ou até mesmo a flexão de braços com os joelhos apoiados no solo, fazem com que o peso da barriga já ative os músculos abdominais para manter a posição;
  • Exercícios em pé com o tronco na posição inclinada darão a mesma sensação da ativação abdominal citado no exercício acima;
  • No mat, em decúbito dorsal, realizar movimentos coordenados de braços e pernas com a toning ball nas mãos. Dessa forma, conseguimos gerar uma ativação abdominal sem sobrecarregar a coluna (Exercício indicado caso não haja desconforto na posição dorsal).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Por que fazer Pilates?

Foto: Pilates Studio Fit
Para emagrecer, modelar o corpo e obter resultados é necessário determinação, paciência e muita força de vontade.
O Pilates é um método que está ocupando cada vez mais espaço e ganhando mais adeptos, justamente por fugir do tradicional ambiente de uma academia e por ter várias formas, equipamentos, exercícios e posições para ser realizado, fazendo assim com que não se torne cansativo e repetitivo.
O Pilates mostra resultados reais, pessoas que o praticam a mais de 03 meses já tem resultados positivos para compartilhar: “O pilates afina, bota a barriguinha pra dentro, tonifica tudo”.
Para pessoas que já praticam esportes, o Pilates combate todo o desgaste físico por outras atividades esportivas, para quem não gosta de fazer musculação e não pratica exercícios regularmente, o Pilates deixa os músculos tonificados, além de melhorar a postura, respiração e força.

Fonte: Pilates Isp

PILATES para o tratamento da depressão


Com 121 milhões de pessoas atingidas no mundo, depressão demanda assistência médica e atividade física.

O Pilates, método criado pelo alemão por Joseph Pilates em 1926, agora ganha status também entre os profissionais de saúde, especialmente aqueles que tratam de pacientes com depressão. É que a técnica que visa ao equilíbrio corporal e mental não tem contra-indicação, podendo ser praticada por qualquer pessoa a partir dos 10 anos de idade.
“O Pilates exige que o indivíduo esteja atento à realização de cada exercício. E é essa concentração que promove a desaceleração mental, a redução da ansiedade e o controle do estresse”, descreve Eloisa Guimarães, fisioterapeuta e professora de Pilates. As sessões, com duração de uma hora, trabalham alongamento, respiração, alinhamento postural, tônus muscular e relaxamento.
Mesmo sem explicação científica que defenda a maior incidência da depressão entre as mulheres, Guimarães cita a relação com fatores hormonais e o excesso de papéis e responsabilidades assumidas como fator desencadeante. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença está associada a 850 mil óbitos no mundo e atinge, hoje, 121 milhões de pessoas. Se este quadro continuar em ascendência, a perspectiva da OMS é que até 2020 será a segunda maior causa de incapacidade e perda da qualidade de vida.
De acordo com a professora, no tratamento, cada caso é avaliado pelo psiquiatra assistente. Medicamentos e psicoterapia costumam ser associados. ” A atividade física praticamente faz parte da prescrição, devido aos efeitos orgânicos que envolvem a liberação de neurotransmissores ligados á sensação de bem-estar” , explica.
Segundo Eloísa, na academia cresce o número de pacientes que buscam o Pilates por indicação do próprio médico ou terapeuta. “Uma das vantagens da técnica é que a sessão é realizada de maneira individualizada, em pequenos grupos de até quatro pessoas. Alunas que vivenciam algum tipo de necessidade, detectada na anamnese inicial, são muito beneficiadas por essa atenção personalizada e têm maiores chances de adesão à prática”, explica a fisioterapeuta.