quarta-feira, 11 de julho de 2012

Artigo Publicado no Blog: http://andreiamouranutri.blogspot.com.br/


Linhaça e prevenção do câncer



         

   Venho compartilhar com vocês uma conquista: a publicação de um artigo científico, fruto do meu TCC, juntamente com meus colegas Rogério Frade e Igor Felício Gomes. Nosso artigo, intitulado: Papel dos compostos bioativos da linhaça (Linum usitatissimum L.) no câncer, foi publicado na edição de jan/fev da revista Nutrição Brasil.
            Sou apaixonada por alimentos funcionais, e a linhaça em especial, encantou todos nós.

            Trago um pouco do que pesquisamos a respeito desta semente na prevenção do câncer.

            A linhaça possui 4 principais substâncias que podem estar relacionadas a este efeito: omega-3, lignanas, fibras alimentares evitamina E. Entre os mecanismos relatados estão: ação antioxidante, anti-inflamatória e antiestrogênica.

ÔMEGA 3 - ação antioxidante e anti-inflamatória
            A linhaça é a fonte vegetal mais rica em ômega-3, contendo até 5,5 vezes mais deste óleo que outras grandes fontes como as nozes e o óleo de canola.
            O ω-3 possui ação anti-inflamatória e antioxidante. Sabe-se que o aumento da inflamação e de fatores oxidativos são críticos para a gênese e progressão do câncer.
            Apenas 1 colher de sopa de linhaça (30g) possui ômega 3 em quantidade  4 vezes superior à ingestão mínima recomendada.

LIGNANAS – antiestrogênicas e antioxidantes
            Estudo mostrou que o consumo de farinha de linhaça reduziu o crescimento de células cancerosas mamárias implantadas em camundongos fêmeas em menos de 8 semanas de tratamento  (LICHTENTHALER, 2009).
            Resultados como este foram relacionados, entre outros mecanismos, à ação de um composto  denominado diglicosídeo secoisolariciresinol (SDG). A linhaça é a maior fonte vegetal de SDG, responsável por diminuir fatores bioquímicos que predispõe ao câncer. Esta substância dá origem a 2 outras com ação antioxidante e antiestrogênica: o enterodiol e a enterolactona. Ter ação antiestrogênica significa diminuir a ação do hormônio “estrógeno”, relacionado ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o de mama.
Pesquisadores (HAGGANS et al., 2000) verificaram diminuição de fatores cancerígenos em mulheres menopausadas com o consumo diário de 10g de linhaça, por 2 meses.

FIBRAS ALIMENTARES
            A linhaça possui alto teor de fibras, representando 28% da sua composição.
      O adequado consumo de fibras pode prevenir diversas enfermidades, incluindo alguns tipos de carcinomas, em especial os que afetam o intestino.

VITAMINA E
            A ação antioxidante desta vitamina é associada à prevenção do câncer, doenças cardiovasculares e desordens neurológicas degenerativas como Alzheimer.
            Lamson e Brignall (1999) demonstraram que as vitaminas E e C são capazes de inibir o crescimento das células malignas de câncer de mama in vitro.

2 colheres de sopa de semente de linhaça (60g ) quase suprem as recomendações diárias de vitamina E.



            É importante ressaltar que nenhum alimento de forma isolada tem a capacidade de prevenir ou tratar qualquer tipo de doença, e que a adoção de hábitos de vida saudáveis, além da prática da atividade física são componentes indispensáveis à manutenção da saúde.

            Na próxima postagem trarei algumas questões mais práticas sobre este maravilhoso alimento.



Referências:

GOMES, I.F.; FRADE, R.E.; MOURA, A.F.; POLTRONIERI, F. Papel dos compostos bioativos da linhaça (Linum usitatissimum L.) no câncer. Nutrição Brasil janeiro/fevereiro 2012;11(1)

Haggans CJ, Travelli EJ, Thomas W, Martini MC, Slavin JL. The effect of flaxseed and wheat bran consumption on urinary estrogen metabolites in premenopausal women. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev; 9:719-25, 2009.

Lamson DW, Brignall MS. Antioxidants in cancer therapy; their actions and interactions with oncologic therapies. Alt Med Rev;4:304-29, 1999.

Lichtenthaler AG. Efeito comparativo de dietas ricas em linhaça marrom e dourada no câncer de mama. [Dissertação]. São Paulo SP: Faculdade de Saúde Pública; 2009.

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